15 de dezembro de 2009

ENCONTRO CULTURAL COM PATRUS

por Sérgio Fantini

No dia 14 de dezembro, por iniciativa de um coletivo de artistas de apoio à pré-candidatura de Patrus ao governo do estado, aconteceu um encontro dele com uma centena de militantes culturais, no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte: produtores, atores, escritores, músicos, cantores etc.

Às 20h, o ministro Patrus abriu o encontro falando sobre seus projetos mais gerais para o governo e de suas idéias sobre a cultura. Em seguida, aconteceram cerca de trinta intervenções por parte dos presentes. As várias áreas artísticas foram representadas por falas que passaram por sugestões e reivindicações, sempre com clareza e sentido de contribuição com a pré-campanha. Muitos momentos de humor e emoção, muitas declarações abertas de desejo de trabalhar pela campanha.

Patrus encerrou comentando alguns dos temas abordados (ele anotou tudo o que foi dito), fez algumas digressões muito pertinentes sobre o que será a cultura em seu governo (inclusive sobre a necessidade de se alocar mais recursos) e esclareceu também algumas questões relacionadas à disputa dentro do PT. Fez questão de dizer que mantém bom relacionamento pessoal com os adversários, atuais e potenciais e conclamou todos a se preparem para uma campanha de poucos recursos financeiros e aguerrida.

7 de dezembro de 2009

Debate Cultural com Patrus

Coletivo Cultural de Apoio ao Patrus

Em novembro passado, um grupo de mais de 90 artistas e produtores culturais, de várias cidades de Minas Gerais, assinaram uma “Carta Aberta ao PT”, solicitando a indicação do Ministro Patrus Ananias como candidato do PT ao Governo de Minas Gerais.
Alguns artistas e produtores culturais que participaram do Manifesto resolveram convidar o Ministro Patrus Ananias para um debate sobre assuntos de nosso interesse: contexto atual, demandas e projetos para o programa de governo. Assim, convidamos você para uma conversa no próximo dia 14 de dezembro, segunda-feira, às 19h com o pré-candidato ao governo de Minas Gerais, PATRUS ANANIAS, no Teatro da Cidade, Rua da Bahia, 1.341, Centro.

21 de novembro de 2009

Ministro, cadê o anteprojeto?

DIÁRIO DO NORDESTE
Fortaleza, CE, Brasil, 19 de novembro de 2009

COLUNA Flávio Paiva

"Por estar apoiada em interesses empresariais e não sociais, a questão do Direito de Autor no Brasil torna-se cada vez mais complexa e temerária (...) Assumir que o culpado é o autor, antes mesmo do estabelecimento de um marco legal para o uso da internet não parece uma boa política."
(Clique AQUI para acessar a publicação completa)

18 de novembro de 2009

Memórias da Liberdade

por Juarez Guimarães

Poemas do povo da noite , como Memórias do cárcere de Graciliano Ramos,
é um clássico ao ser a máxima expressão literária da experiência de uma
geração da esquerda brasileira.


“Assim como Garcia Lorca ficou gravado na história literária da Espanha, como o poeta da resistência espanhola ao terrorismo franquista, esse jovem brasileiro de nome espanhol ficará provavelmente como a maior expressão poética da resistência ao terror ditatorial dos últimos quinze anos”, escreveu Alceu Amoroso Lima em 1979. Trinta anos depois, há três caminhos para confirmar este juízo da maior liderança intelectual católica brasileira e crítico literário:o da alteridade, a temporalidade e a inscrição na tradição.

Ler Poemas do povo da noite é uma experiência ineludível: é como ter estado lá, encarcerado, torturado, desaparecido. É como ter estado ao lado de “alguém/ cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos”. Pedro Tierra é um outro de Hamilton Pereira, ex-militante da ALN e prisioneiro da ditadura desde 1972.Nasceu no cárcere, fez-se lá: “E cada um é um só e todos,/ é meu pai, meu irmão,/ a noiva perdida, é meu próprio corpo/ marcado de suplício.”

Esta disposição radical de ser um outro, de alteridade, é que provoca a comoção da poesia. Todo grande poeta, neste sentido, é um Grande Outro, alguém que poderíamos ter sido. E, por isso, só por isso,a poesia nos transporta, nos transfigura.

O poema O capuz , que reproduzimos inteiro aqui, por um momento, cobre também o nosso rosto. Quase morremos engruvinhados de dor no poema O ventre (parece quase impossível que a palavra da poesia tenha se instalado ali no coração do coração da barbárie!): Recurvo no ventre/ cerrado,/ em dor renasço/ na recusa/ Cotovelos,/ joelhos,/ entre um e outro/ o súbito relâmpago/ me sustém no ar./ Um corisco visível/ apenas por dentro/ como se no cerne/ do corpo se acendesse./ Recurvo no ventre,/ em dor renasço/ na recusa /da minha morte.

Meu corpo torturado já não é mais meu: Meus olhos não anoitecem e sei:/ não era esse o corpo que usavas/ para caminhar entre os homens./ Tua carne é apenas a tua dor.

Eu mesmo já morri: Trago no corpo um pesado gosto/ de sepulturas. Desapareci: mas a porta range/ como se reclamasse mais carinho/ e os sapatos na sala não trazem/ o jeito sossegado de quem retorna. Tornei-me o próprio rio, onde são atirados os corpos anônimos: Fui leito de suicidas/ e assassinados./ Fui Rio da Guarda: cemitério de mendigos.

Eternidade do poema

O que mais impressiona em Poemas do povo da noite é a consciência visceral do autor do que está em jogo: a morte é a anulação do tempo, a ditadura é o seqüestro do amanhã, o grito do torturado, se não virar cristal, não será ouvido. Algo assim como: faço poemas, logo existo.

A noite nestes poemas está protegida de se tornar metáfora banal, como nos versos esplêndidos: Aqui, o rigoroso calendário da Terra/ regirando seus azuisi sobre os abismos/ da sombra e das constelações, faz-se vago. Um programa de criação: Aprender todas as categorias da treva.

Daí uma noção de rigor da poesia: É quando a palavra dita não vem do cerne/ e se perde na cinza. Ou ainda: E a palavra não se renda / à tortura./ E quando eu disser:pedra,/ não se entenda pão.

Entrando com os pulsos atados no campo da poesia, restaura-se o amanhã: E adivinho, com as pupilas gastas/ pela voracidade dos refletores,/ (...) a multidão inumerável/ de violetas, gerânios,/rosas, ibiscos, jasmins,/ o sangue breve dos cravos, / a cor profunda do barro/ que a mão humana plantou. Para não dizer que não falei de flores.

Lírico-épico

Esta poesia lembra o grande coral épico de Castro Alves no abolicionismo, anota Alceu Amoroso Lima, logo distinguindo-a porque, afinal, o poeta baiano nunca esteve em navios negreiros. A poesia descarnada de Pedro Tierra seria mais próxima daquela de João Cabral de Melo Neto ou de Murilo Mendes, anti-romântica.

A tradição mais próxima de Poemas do povo da noite parece ser, no entanto, A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade. Isto é, um épico-lírico porque o sujeito poético se expandiu... tornou-se a dor geral, sentimento do mundo, sem deixar de ser único. Daí porque o herói dramático que versa torna-se mais herói quando mais humano, a dor mais universal quanto mais se personaliza.

Naquela radical condição de isolamento entre a vanguarda de esquerda e o povo, o poeta multiplica seus sensores: Recolho no ar teu verso claro/ à maneira dos cantadores/ do meu país. O pau-de-arara, símbolo maior da tortura, era usado já nos negros escravos. Diz o poeta: e aprendi o ódio dos escravos/ no instante que precede a revolta. A procura de humanidade, após o primeiro dia de tortura, o leva a imaginar um operário: Não procures aqui/ um gesto que se perdeu/ na rua dos oprimidos. / Entre as mãos caladas do torneiro/ regressando no subúrbio,/ talvez encontre um gesto humano.

5 de novembro de 2009

PALAVRA DE ORDEM

Sérgio Fantini, escritor e funcionário da Fundação Municipal de Cultura

Trabalhamos pela eleição de Patrus à prefeitura de Belo Horizonte, em 93, com a mesma paixão com que vínhamos trabalhando em outras campanhas, como a de Lula em 89.

Patrus nos conquistou não pela retórica cristã, mas pela verdade que queríamos instaurar na política: a generosidade como palavra de ordem.

A partir de sua posse, instaurou-se um clima de camaradagem nas salas e corredores da PBH. As disputas políticas, administrativas e pessoais continuaram a existir, mas o ar tornou-se mais respirável. Nunca os artistas, agentes e produtores culturais transitaram tanto por ali.

Além de clarear o tempo e apontar um caminho menos sórdido para as relações políticas, Patrus fez um governo correto, inaugurou práticas que mudaram a vida da Cidade.

Depois de passar essa temporada em Brasília, ele é, de longe, a pessoa mais indicada para ocupar o Palácio da Liberdade.

Para levar a todo o estado a prática de uma política mais justa, mais humana.